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O CIS em meio ao “tiroteio verbal”

Emissoras de rádio, jornais impressos, blogs e sites divulgam, desde a semana passada, os inúmeros capítulos do verdadeiro pugilato verbal travado entre representantes da prefeitura e do governo estadual acerca da frustrada captação de uma empresa de cosméticos para o Centro Industrial do Subaé (CIS). O debate, que deveria ocorrer na dimensão institucional com argumentos estritamente técnicos e – vá lá, com algum conteúdo político – desembestou num bate-boca digno das menos recomendáveis pontas-de-esquina, como se dizia antigamente.
Em momentos de destempero verbal como o que se viu, ergue-se uma cortina de fumaça que serve mais para esconder fragilidades e limitações que, propriamente, para esclarecer as questões que são debatidas. A pirotecnia retórica é sempre um excelente recurso quando os argumentos são escassos.
Grande parte da discussão se deu em torno de cogitações. Ninguém – nem mesmo a imprensa – questionou a empresa se, de fato, ela tinha intenções de se instalar em Feira de Santana; em caso afirmativo, seria necessário indagar a razão da desistência. Sem essas informações, todo o mais é fofoca e mexerico, conforme se noticiou amplamente. Dá manchete, mas não esclarece.
Afirmou-se – e isso também povoa a dimensão das cogitações – que a opção da empresa, por interesse do governo estadual, foi Camaçari. Caso confirmadas todas essas especulações, é a segunda vez que o município do pólo petroquímico aplica uma rasteira na Feira de Santana: a primeira aconteceu em 1999, no auge da hegemonia dos morubixabas pefelistas, quando o complexo automotivo se implantou naquela cidade.

Choradeira

Há muitos anos diversos políticos feirenses recorrem à habitual choradeira que “o senador fulano” ou “o governador sicrano” não gosta da Feira de Santana. A interpretação bairrista encobre uma verdade: eleitoralmente é muito mais rentável ostentar as portentosas realizações governamentais à beira da praia, principalmente num estado com as dimensões da Bahia, cujos governantes sempre voltaram as costas para o interior inóspito.
Essa realidade, todavia, não exime ninguém da responsabilidade de tornar a Feira de Santana atrativa a investimentos. E essa atratividade não se limita à força política, junto ao governo estadual, para facilitar ou intermediar a captação de empreendimentos privados.
Com mão-de-obra qualificada e educada disponível, com infra-estrutura adequada e – sobretudo – com uma estratégia clara e profissional para contato e captação de empreendimentos a dependência dos favores dos políticos soteropolitanos pode se reduzir drasticamente.

Necessidades

Como nada cai do céu, é necessário empenho para tornar o município atraente a novos investimentos. Uma das necessidades mais urgentes na Feira de Santana é a qualificação profissional dos feirenses e, sobretudo, a oferta de educação que permita a elevação da escolarização e a redução no número de analfabetos e analfabetos funcionais. Caso o município desfrutasse desse diferencial competitivo, o número de empresas interessadas em se implantar aqui seria maior.
Outro imperativo é a infra-estrutura. Discutiu-se muito sobre área para expansão do CIS. Mas, tão importante quanto área para expansão, é a infra-estrutura no entorno: com as principais vias de circulação estranguladas pelo tráfego incessante e com o Anel de Contorno à beira do caos, fica difícil distinguir-se pela competitividade. Nessas horas, nota-se a falta que faz um Plano Diretor.
Por fim, é preciso que se elabore uma política clara de atração de investimentos. É necessário que o município disponha de uma estratégia que permita estabelecer contatos, convidar investidores e que contribua para a implantação de novas empresas. Sem esses requisitos, o recurso que sobra é o tiroteio verbal quando alguma coisa dá errado...

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